domingo, 24 de outubro de 2010
futebol elitizado
Couto Pereira, última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado: O jogo entre Fluminense e Coritiba terminava empatado. Com isto, o Fluminense concluiu uma arrancada emocionante, mais que improvável e continuou na primeira divisão. O Coritiba caiu. Ato contínuo, torcedores do Coxa revoltados invadem o gramado e entram em confronto com policiais e árbitros.
No mesmo dia, à noite, Telmo Zanini, comentarista do Sportv fala sobre o ocorrido:
- Também, com ingressos a 5 reais, vocês queriam o que? Só podia dar nisso.
Tentando consertar o comentário obviamente elitista, ele afirmou.
- Quando os dirigentes não valorizam o espetáculo, botando ingresso a 5 reais, os torcedores também não valorizam.
O que está por trás deste comentário? O ingresso tem que ser caro não apenas para garantir mais renda a um clube, mas para garantir um público mais seleto nos estádios. Associar violência/povo e elite/civilidade é um preconceito quase tão velho quando andar pra frente. Mas as reformas nos estádios, preparando-os para receber os turistas e eliminando áreas populares referendam este discurso.
A ideia de uma modernização conservadora do Rio ganhou força total com a confirmação da copa e da olimpíada no Brasil. Para dar um exemplo, há uma semana o jornal “O Globo” fez uma reportagem sobre os bondinhos de Santa Teresa mostrando como ele não atende às “necessidades” dos turistas. A que interesses atendem um jornal que faz reportagens como a citada no início deste texto? O futebol faz parte deste processo.
Além disso, a TV tem seus interesses atendidos em detrimento dos interesses dos torcedores. Os jogos durante a semana começam às 21:45 (depois da novela) e que se dane quem trabalha no dia seguinte. E que se dane quem não tem transporte para ir para a casa depois do jogo. Chega ao ponto da gente ter que explicar para um turista que os jogos agora começam às 22:00 por causa do horário eleitoral na TV, que atrasou a “programação”.
O negócio é tão vergonhoso que, para tentar dar uma amenizada, o PFC e o clube dos 13 lançaram uma campanha: “vá ao estádio”. O PFC (pay-per-view de futebol) lançando esta campanha equivale ao Mcdonald’s fazendo campanha contra o câncer.
Torcedores de futebol são vistos cada vez mais como problema, não como parte do jogo. Hoje, teremos mais um triste episódio neste sentido. O clássico Cruzeiro X Atlético, em Minas Gerais, mais uma vez, terá apenas uma das torcidas no estádio, no caso, a do Cruzeiro. A ideia é acabar com as brigas no estádio. Não acaba, mas acaba com a graça. Os Cruzeirenses vão provocar um adversário que não estará lá. Os Atleticanos estarão espalhados, ouvindo no rádio ou vendo pela TV. E, em caso de gol do seu time, ouvirão o silêncio ecoar no estádio.
Uma das “danças” mais bonitas em um jogo de futebol, para mim, é a de um pênalti perdido. A torcida que gritava e pré-comemorava, se cala. A outra torcida, antes calada, festeja ao ver a sua pequena esperança se tornar certeza. A alegria muda de lado em um chute. Isto não acontecerá hoje, em Minas Gerais.
Já no Engenhão, as torcidas de Vasco e Flamengo quase não vão ouvir uma a outra. A acústica não permite, o estádio não foi feito para nós, torcedores. É capaz até de um torcedor, desavisado, achar que a sua torcida “calou” a torcida adversária. Mas quem “calou” foram os formuladores deste estádio belíssimo e sem alma.
Como enfrentar esta avalanche contra os nossos interesses de torcedor? Primeiro passo: conheça a ANT (associação Nacional de Torcedores), filie-se e participe dos seus atos e maniFESTAções. Só nós, torcedores, podemos gritar pelo que nos interessa. E gritando junto, fica sempre mais bonito. E mais forte.
Pedro Castanheira de Freitas, vascaíno e filiado a ANT.
Conheça e filie-se a ANT:
http://torcedores.org/
Primeira manifestação da ANT:
http://www.youtube.com/watch?v=o-qdeMPsxIE
domingo, 27 de junho de 2010
Bolão da copa - segunda fase
Parabéns Ana!
Ana - 255
Pedro – 225
Carla - 210
Visconde - 205
Emilia - 180
Maya - 170
Nina - 150
Regina – 140
Morgana – 135
Pedro Maia - 130
Sergio - 120
Badaró – 115
Luana – 115
Tiago Tardin - 105
Jana – 75
A final inédita da copa e a primeira sem um dos "4 grandes" (Brasil, Itália, Alemaha, Argentina)acabou com as apostas de quase todo mundo. Eu disse quase. Ana Kallás apostou na Espanha e está a uma vitória de levar o bolão. Resumindo, a situação é essa: se a Espanha for campeã, Ana vence o bolão. Se a Holanda vencer, o título fica comigo mesmo... Prostestos e denúncias de fraude, encaminhem para o Ministério Público, por favor...
Lá vai o resultado quase derradeiro:
Pedro – 225
Carla - 210
Visconde - 205
Emilia - 180
Ana – 175
Maya - 170
Nina - 150
Regina – 140
Morgana – 135
Pedro Maia - 130
Sergio - 120
Badaró – 115
Luana – 115
Tiago Tardin - 105
Jana – 75
Crise no Bolão!
O fim das semi-finais acabou com os sonhos da maioria dos participantes do "Bolão do Pedrinho - segunda fase". Afinal, os dois favoritos do Bolão já caíram fora da copa.
Nina, Regina, Pedro Maia e Tiago Tardin, otimistas, apostaram no sexto título do Brasil e pararam na holanda. Outros 8 apostaram no título dos Argentinos e foram massacrados pela Alemanha (Visconde, Pedro (eu), Emília, Carla, Morgana, Badaró, Luana e Jana). Sergio apostou na vitória de Gana e da África. Uma aposta ousada e... fracassada.
Só duas pessoas podem acertar o vencedor, e ambas moram na mesma casa: Ana apostou na Espanha e Maya na Alemanha.
Nove pessoas apostaram na final dos sonhos: Brasil e Argentina. Estes não pontuarão mais. Aliás, só 4 pessoas ainda podem pontuar no Bolão: Eu, Maya, Carla e Ana. Somos os únicos que ameaçamos o reinado de Rafael "Visconde" Maul.
Lá vai a pontuação:
Visconde - 205
Pedro – 185
Emilia - 180
Maya - 170
Carla - 150
Nina - 150
Regina – 140
Ana – 135
Morgana – 135
Pedro Maia - 130
Sergio - 120
Badaró – 115
Luana – 115
Tiago Tardin - 105
Jana – 75
O primeiro dia das semis foi, sem dúvida o mais sensacional da copa. De tirar o fôlego. A holanda bateu o Brasil, para alegrinha minha, de Carla e de Sérgio, pelo menos no bolão. No segundo jogo do dia, um penalti perdido no último trouxe a alegria a Rafael Maul, que soube o que era comemorar um gol de penalti de Loco Abreu. Matador, visconde acertou o placar em cheio do segundo jogo, e eu do primeiro. E, como a pontuação vai aumentando ao passar de fase, a situação ficou assim:
Visconde - 175
Pedro – 165
Emilia - 140
Regina – 140
Carla - 130
Nina - 130
Sergio - 120
Ana – 115
Badaró – 115
Morgana – 115
Maya - 110
Pedro Maia - 110
Tiago Tardin - 105
Luana – 95
Jana – 75
Fim das oitavas! O dia 29-06-2010 acabou e com ele surgiram as primeiras dúvidas sobre a pontuação. Como proceder com relação aos penaltis? O sujeito acertou que o paraguai iria ganhar nos penaltis mais errou o placar, não deveria ganhar mais pontos que o indivíduo que apostou paraguai 6x0 japão. Casos omissos, ou de interpretação dúbia devem ser resolvidos pela comissão fiscalizadora, que sou eu (está no regulamento, vocês não leram?). Decidi, soberanamente, que quem acertar que iria a penalte e acertas o vencedor garante 15 pontos nas oitavas. Ou seja, o mesmo que o sujeito que acerta o vencedor e um dos placares. Ficamos assim? Alguma objeção? Não? Ótimo. Por unanimidade, assim está decidido.
Agora, os resultados: com o fim da rodada, Rafael Maul sobra na liderança. Até agora, acertou todos os vencedores. Está definido: é o adversário a ser batido. Emília, Nina e Regina completam o quarteto líder desde o início e seguem como principais ameaças a reinado de Maul, mostrando que o "poder feminino" continua vivo no bolão. Em último lugar, minha mãe, vencedora do bolão 2006, espera as quartas, que valem mais pontos, para se reabilitar...
Visconde - 135
Emilia - 110
Nina - 110
Regina – 110
Ana – 95
Badaró – 95
Morgana – 95
Pedro – 95
Carla - 90
Maya - 90
Pedro Maia - 90
Sergio - 90
Tiago Tardin - 85
Luana – 75
Jana – 55
Acabou o dia 28-06-2010 e Rafael Maul continua impossível. Em toda a primeira fase ele acertou apenas 1 placar em cheio de 48 jogos. Na segunda, de 6 jogos ele já acertou 4. Não sei não... Há denúncias de que Visconde foi beneficiado pela ajuda de Maiá Rosa, que parece ter herdado a sorte do pai e a inteligência da mãe. Até que surja uma prova definitiva, este bolão continuará aceitando as apostas de Maul, vulgo Visconde. Mas cuidado! Estamos de olho.
Visconde - 110
Regina – 100
Nina - 90
Emilia - 90
Badaró – 85
Sergio - 80
Pedro Maia - 80
Ana – 75
Morgana – 75
Maya - 70
Pedro – 70
Luana – 65
Tiago Tardin - 60
Carla - 55
Jana – 55
ao final do dia 27-06 Visconde mantém a impressionante dianteira (só perdeu 5 pontos até agora) seguido de perto por Nina Regina e Emilia
Visconde - 75
Nina - 65
Regina – 65
Emilia - 60
Badaró – 55
Sergio - 50
Ana – 45
Morgana – 45
Pedro Maia - 45
Luana – 40
Maya - 40
Pedro – 35
Carla - 30
Jana – 30
Tiago Tardin - 30
Após o primeiro dia - 26 de junho, mudança de hábitos. Rafael Maul acertou tudo que podia e assume a liderança!
Visconde - 40
Nina - 35
Regina – 35
Emilia - 30
Sergio - 30
Badaró – 20
Pedro Maia - 20
Tiago Tardin - 20
Ana – 15
Jana – 15
Luana – 15
Morgana – 15
Pedro – 15
Carla - 10
Maya - 10
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Receita de ano novo
Receita de ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanhe,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Ao encontro de Eric
Ao encontro de Eric
O filme conta a história de um carteiro que anda com a vida em frangalhos. Eric enfrenta vários problemas em casa, com os filhos, e, por outro lado, uma história mal resolvida do seu passado ressurge, revirando sua consciência e seu coração. Em seus momentos de desesperança, o carteiro Eric passa a se encontrar com outro Eric – a figura de Eric Cantona, grande ídolo e ex-jogador do Manchester United, de um passado não tão remoto. Cantona aparece para Eric como um amigo, alguém próximo, e a partir desses encontros e das conversas que os dois travam ao longo da narrativa, o carteiro inicia um processo de transformação.
O principal personagem ama o futebol. Suas últimas lembranças de momentos felizes estão guardadas na memória de uma partida, nos gols de Cantona, na vitória consagradora de seu time. Pois é partindo dessas doces lembranças que Eric se levanta e, em seus encontros com o ídolo Cantona, passa a se reconhecer como um sujeito ativo de sua própria vida.
Vou comentar algumas coisas que, em minha opinião, tornam este filme imperdível. Em primeiro lugar, gosto da maneira como Ken Loach constrói os seus personagens. Ele não põe o foco em apenas um aspecto da vida de Eric. O carteiro se relaciona e enfrenta diversas frentes: a ex-mulher, os filhos, os amigos e companheiros de trabalho e o novo (velho...) companheiro Cantona. O carteiro de Ken Loach é tudo isso junto e ao mesmo tempo. Cada uma de suas frentes coloca para ele novos desafios, os quais ele vai vivenciando em conjunto.
Assim é como se passam as coisas na nossa vida. Nossas relações estão integradas, por mais fragmentadas que possam parecer. A tentativa de mostrar a conexão entre as partes da vida é algo necessário, sobretudo porque vivemos numa época em que somos indivíduos cada vez mais alienados e apartados da compreensão do todo no qual nos inserimos.
Outro ponto alto do filme, recorrente em outros trabalhos do cineasta, é que a solução encontrada para os conflitos não se deve apenas à ação individual. A solução, ou melhor, o desfecho, sempre requer algum grau de mobilização coletiva dos personagens que compõem a narrativa. É belo perceber como a superação dos problemas demanda uma construção coletiva que mobiliza uma série de identidades e, nos filmes de Ken Loach, especialmente da identidade de classe.
Por fim, como desdobramento do que apontei antes, chamo a atenção para a visão otimista que encerra o filme. A história mergulha nos problemas e nas contradições de Eric com humor e com uma mensagem de esperança. “Sempre há novas possibilidades, sempre há alternativas” é o que diz Cantona. Em tempos de tamanha desesperança, Ken Loach afirma que há possibilidades e que elas, necessariamente, se constroem no coletivo. Assim, ele o faz. Produzindo encanto em tempos de desencanto.
Voltamos para casa, após algumas cervejas, com o coração emocionado pelo filme. No dia seguinte, tudo preparado para ir ao Maracanã em dia de Fluminense x Vitória. O Fluminense, clube do coração, vinha sendo até então o time do desencanto e da total descrença neste ano de 2009. Porém, eis que já no apagar das luzes, no último momento em que ainda era possível iniciar uma reação, o time se levanta e começa a funcionar. E vai ganhando daqui e dali, e vai encantando a sua torcida apaixonada; que por sua vez retribui multiplicando o encanto a partir das arquibancadas.
Então, lá estávamos nós para mais um capítulo desta reação. Se conseguiremos ou não, quem poderá dizer? Éramos um time em frangalhos, mas nos tornamos confiantes e, atuando em coletivo, estamos tentando mudar nossa própria história e sair de um caminho que nos parecia sem volta. Quem sabe se Eric Cantona não andou se encontrando conosco por aí...
Pois antes de entrar no Maracanã, neste último domingo, ainda embalada pela emoção do filme, eu mentalizei o Cantona – aquele mesmo do filme e não apenas o jogador de outrora. Pedi suas bênçãos. Fizemos um bom jogo e ganhamos, seguindo em frente sem esmorecer, na luta para evitar a queda do time para a segunda divisão.
Qual não foi a minha surpresa ao ler, no jornal do dia seguinte, que torcedores ingleses da cidade de Manchester estiveram no Maracanã e se surpreenderam com a festa feita por lá. “– Foi lindo, nunca vi isso. Decidimos vir ao jogo depois que um amigo esteve no aeroporto na quinta-feira e viu a festa que fizeram para receber o time – declarou Douglas Smith, de Manchester.” Assim li no jornal e pensei, então, nas coincidências meio mágicas que, às vezes, vislumbramos só no futebol...
Depois de uma reação improvável, agora chegou a hora em que nos falta apenas mais uma partida a ganhar. Que o encanto e a esperança continuem conosco. E que Eric Cantona apareça para nós no domingo!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Bem acompanhado
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Primeira Guerra Mundial: aula e jogo
O jogo não é muito pesado (consegui jogar utilizando a internet do estado, que não é lá estas coisas) e tem alguns elementos interessantes para entender a dinâmica da "guerra e trincheiras".
As armas são razoavelmente fidedignas com as armas utilizadas na guerra. Dá pra perceber a vantagem das trincheiras sobre o terreno plano, e o desenvolvimento tecnológico e militar para enfrentar as trincheiras.
Conforme se passa de fase, surgem as novas invenções militares: granadas de mão, bombardeio aéreo, ataque com gás e tanque de guerra.
Pode ser utilizado para se debater os caminhos do desenvolvimento tecnológico. Quem investe em tecnologia, para que investe e a quem interessa determinada tecnologia.
O jogo está no sítio abaixo:
http://armorgames.com/play/2267/warfare-1917
Aí vem a questão: como usar em uma sala de aula com trinta, quarenta, sessenta alunos? Uma alternativa (indicada pela Edna, professora de Geografia do CEROM) é apresentar o jogo em datashow para toda turma. E para quem não tem datashow? Pode-se ir para a sala de informática e convidar todos a jogar online, em duplas. Não tem internet na escola, ou pior: não tem nem sala de informática? É, colega professor, a nossa situação está braba. Temos que lutar para melhorar as nossas condições de trabalho, até para não morrer de raiva quando ouvir a orientadora pedagógica repetir a cansativa ladainha: "é preciso ir além do cuspe e giz..."
Enquanto isso, dá pra indicar o endereço do sítio para os alunos. Quem sabe um deles não se habilita a conhecer o jogo?
terça-feira, 31 de março de 2009
Poema reflexão
Escolarizando
conforme forma mente
conforma gente
educando conforme
a formação que forma
a mente desforme
deformando a forma
que educadamente
mente e conforma
carretel de lata velha
de pipa solta
de rabiola farpada
"que eu me organizando
posso desorganizar
que eu desorganizando
posso me organizar"
desorganizadamente
menteorganizar
organizadamente
mentedesorganizar
sem o verbo que mente
desescolar
as amarradasmentes
para no mundo escolar colar
urgentemente
insurgentesmentes
desconformar
terça-feira, 24 de março de 2009
Choque de ordem
O "choque de ordem", proclamado pelo prefeito Eduardo Paes, não é nenhuma novidade. Projetos que tentam implementar esta "ordem" já foram feitos muitas vezes ao longo da nossa história. Nos últimos anos, a cidade do Rio sofreu operações como a Ipabacana e outras que buscavam retirar os mendigos dos bairros nobres da cidade. Depois, Gabeira apareceu como candidato da Zona Sul ao propor um "choque de ordem e de capitalismo" no Rio. Paes, desesperado por ter perdido os votos neo-udenistas da zona sul carioca, buscou no marketing a saída para recuperar o prestígio neste meio.
Iniciou o seu governo com uma marca: o choque de ordem. Não seria tolerada nenhuma irregularidade na cidade. A lei seria cumprida, etc. etc. Para marcar estes "novos tempos" retirou mendigos da zona sul, derrubou construções irregulares, proibiu venda de bebidas nos arredores do maracanã em dias de jogos, reprimiu camelôs, além de outras ações impactantes.
Bicicletas apreendidas e mães proibidas de colocar um pano para proteger os seus bebês no chão de um parque, fizeram muitos questionarem a tal da ordem pública.
Mas o fato é que não existe uma "ordem" universal, que atenda a todos os interesses. Que ordem é esta? Garante os "direitos" de quem, cara pálida? Os mesmos de sempre: os brancos, endinheirados e amedrontados. Aqueles que percebem a violência quando a bala fura a sua janela. Aquele que sai no jornal quando uma munição perfura o seu telhado.
Para explicar este choque de ordem basta lembrar do último dia de chuva: as ruas continuaram enchendo e os bueiros entupindo, mas o trabalhador que tentasse vender guardas-chuva eram reprimidos; as marquises podres e ameaçando cair continuavam lá, mas se um mendigo fosse se proteger da chuva, era retirado daquele espaço. O desemprego e miséria são elementos perfeitamente adequados à ordem de Eduardo Paes.
terça-feira, 10 de março de 2009
Perguntas para a Igreja Católica
2 - Quem são as pessoas envolvidas no aborto que serão excomungadas? Faxineiros, motoristas de ambulância, diretor do hospital, etc entram nesta lista?
3 - Congressistas que votam a favor de leis que permitem o aborto em determinados casos são excomungados? E juízes que fazem valer a lei?
4 - Para a Igreja, o aborto se equipara a um assassinato. Portanto, todos os condenados por assassinatos são excomungados?
5 - Chefes de Estado que permitem a pena de morte são excomungados? E os policiais que a executam? E juízes que apresentam este veredicto?
6 - Os papas da época da inquisição, em que a igreja foi responsável pelo assassinatos de "hereges" serão excomungados? E o papa de uma igreja católica que tenta obstacular o acesso de pobres a camisinha, possibilitando a multiplicação dos casos de AIDS, aumentando o índice de mortalidade?
7 - A igreja católica estimula a morte de milhares de mulheres, forçando-as a ter filhos em situação de risco ou abortar em clínicas clandestinas. A igreja católica excomungará a Igreja católica?
Não aos microfones no estado!
As críticas que foram feitas sobre a entrega dos laptops aos professores pode ser resumida pela palavra "prioridade". Diante dos salários baixíssimos, da precária estrutura das escolas (falta pilot para quadro branco, fotocópias, ventiladores, dvds, salas de informática equipadas, etc) o "presente" para os professores não parecia fazer sentido.
Já a crítica aos microfones vai em outro sentido. Eu sou contra este recurso didático como política de governo em qualquer realidade. Por três motivos, principalmente:
Primeiro: o nosso contato com os alunos é, realmente, difícil. As chamadas "conversas paralelas" atrapalham muitas vezes o bom andamento da aula. Só que colocar um microfone no professor para "abafar" estas conversas serve apenas para fugir e ignorar o problema. A aula, desinteressante e cansativa continuará assim. É como acabar com uma febre sem investigar o seu motivo. Os professores estamos com problemas na voz porque falamos e gritamos muito. Gritar mais alto é a saída? E se um professor decidir colocar o microfone no volume máximo para "punir" os alunos insubordinados? Teremos todos que aturar o uso desta arma?
Segundo: como todos sabemos, a aula não pode se resumir ao professor falar e ao aluno ouvir. Seria possível promover um debate microfonado? A voz do professor, com microfone, permite uma abertura para o estudante se manifestar em uma aula? Creio que este instrumento ajuda a ampliar a distância e a hierarquia entre professor e aluno. Se este é o objetivo do governo do Estado, que tal resgatar o pedestal para o professor, obrigar os alunos a se levantar à entrada do Ser Iluminado e, se for preciso, palmatória? Eu acredito que a verdadeira educação deve buscar ser emancipatória, e não castradora.
Terceiro: está será uma excelente desculpa para o governo entupir as turmas com 60, 70 alunos. As salas, lotadas e quentes, aumentarão a "produtividade" da política de Cabral: mais gente formada por menos custos (leia-se: menos professores e menos escolas). Vai no mesmo sentido das pressões das coordenações para que aprovemos os alunos no 4º bimestre. Aprovação é produtividade, independente do motivo desta aprovação.
Já sei! Tive uma outra idéia para diminuir o barulho das aulas! Que tal turmas de no máximo 25 alunos? Escolas equipadas e com uma vasta diversidade de cursos extras para os alunos (cinema, teatro, música, etc)? Professores recebendo bem sem acréscimo de carga horária, tendo tempo para participar de cursos, trocar experiências, refletir e preparar suas aulas?